Carne bovina pode ter gosto afetado devido à alimentação

Nós somos o que comemos. Mas e o gado? Será que ele é o que come?

A dieta do animal tem grande influência sobre as características da carne, alterando cor, maciez, tempo de prateleira e, principalmente, o teor e a composição de ácidos graxos.

Para entender como a alimentação dos animais afeta a qualidade, é preciso saber um pouco mais sobre a criação deles.

Alimentação e criação

Pesquisadores do Inta – Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina, afirmaram que a dieta bovina pode afetar o gosto da carne, aproximando-a ao sabor do alimento proveniente do porco.

A alimentação à base de industrializados, como alguns derivados de sementes oleaginosas, é a grande causa.

Segundo o especialista Enrique Pavan, a formulação de uma dieta à base de concentrados contendo uma alta composição de ácidos graxos diverge muito da dos gramados naturais.

“Quando esse tipo de suplemento é excessivo ou é dado aos animais por um tempo prolongado, gera uma mudança na proporção dos ácidos graxos, que poderia modificar o sabor da carne”, explica Pavan.

Segundo o Inta, como consequência da introdução e extensão desse tipo de práticas alimentares, a composição de ácidos graxos de bovinos e suínos ficou parecida.

Seria mais conveniente ao animal e ao produtor que sua criação fosse, na sua totalidade, no pasto.

No entanto, esse sistema de produção tem o grande problema de distribuição desuniforme das chuvas ao longo do ano.

Isso causa a diminuição na oferta de forragem no período de seca, que acaba influenciando o balanço de desempenho econômico das atividades pecuárias.

No Brasil, a conclusão das pesquisas é que no período da seca os animais devem receber uma suplementação estratégica que permita ganhos moderados. Porém importantes para o crescimento individual e a produtividade do rebanho.

O professor Adilson Almeida, especialista em forragens e pastagens, explica que é comum os pecuaristas brasileiros usarem a uréia misturada com suplementos minerais durante o período da seca. Com o objetivo de suplementar a deficiência de proteína.

Entretanto, mencionando as quantidades ideais de cada ingrediente, “que a maioria dos trabalhos conduzidos no Brasil com uréia associada a suplementos minerais revelaram resultados insatisfatórios, com benefício reduzido ou mesmo nulo”.

Composição da carne

De acordo com Walter Motta, professor titular do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alguns componentes da carne podem ser afetados com a alimentação dos animais, mais propriamente o teor da gordura comparado aos outros componentes. A intensidade dessa mudança dá-se através da espécie do animal. O que é possível manipular é a quantidade de tecido magro em relação ao tecido gorduroso.

Na alimentação do homem, existem basicamente dois tipos de gorduras, as saturadas e insaturadas. As saturadas têm glóbulos gordurosos maiores e podem proporcionar problema no processo digestivo humano. Os animais ruminantes, que estão consumindo os produtos vegetais, têm um processo de saturação, então a gordura será saturada. Nas aves e suínos, as gorduras têm um grau de insaturação maior.

“O que faz mal é consumir muita gordura, seja ela de que tipo for. A gordura saturada tem mais problema do que a insaturada. As gorduras insaturadas são as que proporcionam os ácidos graxos das famílias ômega-3 e ômega-6, deles derivam a imunidade de uma forma geral. É importante consumir gorduras de forma moderada, é essencial na dieta do homem”, conclui o zootecnista.

 

Veja também

 

Fonte de pesquisa:

CPT

Rede Globo

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